Never stops

Por mais que eu não goste de admitir, Ellis Grey com sua famosa frase, “the carousel never stops turning”, fazem completo sentido. A vida não espera que nos recomponhamos para a próxima queda – talvez ela não espere nem que enxuguemos as lágrimas. Precisamos enfrentar, de cabeça erguida (quando possível), os desafios que aparecem, mesmo que isso nos quebre e nos machuque por dentro. Sempre pensei que uma multiplicidade de situações ruins, desconfortáveis e até terríveis não fosse capaz de atingir uma mesma pessoa – ou um conjunto restrito de pessoas – mas foi mais um dos meus vastos enganos. Coisas ruins acontecem. Coisas desconfortáveis acontecem. Coisas terríveis acontecem também. E nós não podemos controlar tudo que nos circunda. Aliás, nós mal podemos controlar a nós mesmos.

GA – 6.01

“De acordo com Elisabeth Kubler-Ross, quando estamos morrendo, ou sofremos uma perda catastrófica, passamos por 5 estágios de luto. Passamos pela negação. A perda é tão inconcebível que não acreditamos nela. Ficamos bravos com todo mundo. Bravos com os sobreviventes, bravos conosco, e então, barganhamos. Nós suplicamos, imploramos, oferecemos tudo o que temos em troca de apenas mais um dia. Quando a barganha falha, e a raiva é demais para persistir, ficamos deprimidos, desesperados, até que finalmente aceitamos que todo o possível foi feito, e desistimos. Desistimos e tentamos aceitar.”

[…]

 

Eu nunca pensei que aconteceria

O suicídio é uma ruptura – de uma matéria, de um ciclo, de uma vida. Eu já escrevi cem vezes (talvez mais) sobre a morte, mas nunca havia precisado lidar, cara a cara, com ela – até o domingo de manhã chegar. Dito isso, vi e comprovei que o ser humano, em sua essência original, não está nem estará preparado para enfrentar o fim – seja hoje, amanhã ou em vinte e cinco anos. Contudo, precisamos aceitar que, um dia, o relógio para. Os minutos não mais serão contados. Os segundos sequer fazem diferença. A morte vem, mas muitos ficam. E, aos que, como eu, ficaram e ainda ficarão, digo que a dor é indescritível – e destrutível. Surgem perguntas que jamais serão respondidas. Aparecem dúvidas sobre o motivo, sobre a razão. É um tsunami que nos arrasta. É um terremoto que nos derruba. É a consequência de uma morte repentina, caótica e dolorosa.

 

Tabus e Debates: psiquiatras, psicólogos e todos os “loucos” do mundo

Eu posso falar sobre dor? Porque, para muitos indivíduos, o “falar sobre dor” é pura dramaticidade. De fato, como seres humanos, somos, em diversas situações, indiscutivelmente melancólicos. Contudo, o caos e as paranoias, às vezes, extrapolam. E dói. E machuca. E nos faz questionar o real motivo de estarmos aqui. Atualmente, em um contexto social menos “quadrado” e menos cheio de censura, temas como depressão, suicídio, ansiedade e vários outros distúrbios da mente, antes considerados assuntos tabus, tornaram-se tópicos de discussão. Então, é importante falarmos sobre dor. Milhões e milhares de crianças, adolescentes, adultos e idosos encontram-se em sofrimento emocional, o que acarreta, a esses indivíduos, também sintomas físicos – como insônia, fadiga e irritabilidade. De início, achamos que é apenas frescura, pois nos foi incutido, culturalmente, que psiquiatras e psicólogos servem para atender e cuidar de pessoas chamadas de malucas – e nós não somos malucos, ora! Nós apenas pensamos demais. O tempo passa e os sintomas se intensificam. As horas de sono diminuem. O choro torna-se ainda mais frequente. A vontade de permanecer vivendo, em contato com outras pessoas, vai embora. Por isso, meus caros, precisamos falar sobre dor. Se doer, busque ajuda. Desconstrua esse pensamento ultrapassado de que somos seres fortes e autossuficientes, cheios de orgulho, e que não precisamos de outro alguém para conseguir entender uma parcela de nós mesmos. Vá à terapia. Marque horário com um psiquiatra. E não deixe a dor vencer – nunca!  

Tabus e debates: falhas

Coisas ruins acontecem com pessoas boas – e a justiça nem sempre é válida. Há dois ou três dias atrás, navegando pelo Youtube, encontrei um vídeo sobre presidiários que não deveriam receber tal “título”. Eles eram inocentes e perderam dez, vinte, trinta anos de suas vidas apenas por estarem no lugar, no dia, na década errada. É avassalador perceber a necessidade que a sociedade tem de encontrar um culpado – ou melhor, alguém em quem colocar a culpa. Existem casos e mais casos arquivados. Existem casos e mais casos cujas provas são insuficientes e inválidas. Dizem que há corrupção dentro do sistema, mas também há falta de humanidade. Pessoas perdem suas identidades e, como “recompensa”, recebem números. Recentemente, no Brasil, houve dois casos que ganharam notoriedade – o de uma modelo e o de um DJ. Ambos foram presos injustamente, sendo que um deles estava há quilômetros de distância de onde o crime foi cometido. Já disse e repito: eles precisam apontar o dedo e indicar um culpado – geralmente alguém que faça parte dos grupos marginalizados, ou seja, das minorias. O que lhes pergunto é: eles merecem/mereceram estar em uma posição como essa?


Inspiração para o texto: The Green Mile