Eu posso falar a verdade?

Durante a faculdade de psicologia, entramos em confronto com nossa própria humanidade. Dia após dia, nos deparamos com tantas falhas humanas e com tantas situações angustiantes que questionamos o real motivo de nos condicionarmos a isso, a passar por isso. Há seis meses, entrei em uma sala de aula com a expectativa inquietante de uma caloura, mas foi chocante. Minha primeira aula de “Psicologia: Ciência e Profissão” fez com que eu repensasse a respeito do curso que havia escolhido. Os dias e os meses ganharam sequência e, durante diversas outras aulas, sai com uma sensação de ter sido derrotada pelas evidências. Deparei-me com notícias sobre suicídio, feminicídio, racismo, estupro e MUITAS outras situações lastimáveis, agonizantes e intensas. A psicologia nos faz questionamentos – os quais nem sempre são positivos – e nos faz pensar no quanto somos, como seres humanos, pequenos, excêntricos e, por várias vezes, cruéis. Apesar disso, venci o primeiro semestre e senti uma tremendo alívio por ter conseguido superar a etapa do “baque” inicial – mas apenas até ontem. Tive mais uma aula impactante. Tive mais uma aula dolorosa. Tive mais uma aula de puro e genuíno conflito interno. Confesso que é um verdadeiro caso de opostos: a psicologia nos faz acreditar que mudaremos o mundo – ou ao menos uma pequena parcela dele – com empatia, bondade e esforço, mas também nos faz perceber que há mentes e comportamentos demais para serem modificados – nunca seremos capazes de tanto.

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