domingo

Era um domingo de manhã, claro e caloroso. O telefone tocou e, por uma fração de segundos, senti que sabia o que seria dito – e soube. Perdi o foco, o rumo, o fôlego. As lágrimas, ainda que eu não saiba o motivo, recusaram-se a cair e eu, que sempre falo tanto, me vi sem palavras. Corri e me perdi, dentro da minha própria casa. Liguei para uma ou duas ou três pessoas – e que me desculpem os vizinhos, mas não ponderei meu tom de voz. Sai, mas antes de sair, orei. Olhos estatelados, cabelo bagunçado e desespero… Tanto desespero que não sei como quantificar em palavras. Era para ser mais um dia comum, calmo e tedioso – mas não foi. Assinei alguns papeis, escolhi um caixão e tentei não repetir mil vezes que eu pensei que aquilo não aconteceria, não naquele dia.

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